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15 de julho de 2011

da nossa manhã

Eróticas dores inquietantes,
Pelo eclodir do dia feito
A minha cabeça no teu peito
e a mão a tactear as estantes

Escolho o livro mais bizarro
e as lascivas frases condenam
ao delírio daquele cigarro

Percorro o teu cabelo ondulado
vagarosamente, sobra-nos tempo
as vizinhas palreiam do outro lado
e os pássaros chiam ao som do vento

Observo-te o corpo ancorado
E voraz, pressentido a manhã,
devoro o teu perfume adocicado

Quando acordares, o relógio entoará
que já passa das três
E o mundo lá estará, outra vez,
para te amarrares.

Mas até lá, libertino estonteante,
tu serás a minha paz
e eu a tua amante.




Raquel Dias
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