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6 de fevereiro de 2012

Os pássaros voltarão

Depois os pássaros voltarão,
para povoar-me o âmago vazio
do ríspido imenso nevão
que rebentou no peito bravio,

e haverá água pelas ribeiras
poesia e grandeza no Homem,
ditarei fim às prezadas olheiras
aos ruídos que hoje me consomem,

será verde a copa, haverá flor,
pétalas, veludo no meu peito
por fim largarei sem rancor,
um passado hoje imperfeito

e certa manhã lamberei a memória
dos enleados trilhos doces
onde um dia foi nossa a história
que inevitavelmente quebrou-se


depois os pássaros voltarão
- como era o teu rosto?




Raquel Dias
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