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23 de dezembro de 2012

sobre o fim


Se ao menos a vida não tivesse irrompido por entre as paredes, quem sabe… Talvez um de nós se tivesse surpreendido, desconfio que seria eu, sabes, sempre acreditei demasiado nas minhas especulações, sou portanto mais passível de equivocar-me. A noite tão profunda, os tornados a varrer as ruas, um golpe de luz a ferir o céu, é o fim, gritavas, e eu sorria, eu não me importava nada. Mas a vida irrompeu, sempre a vida, essa derradeira desmancha-prazeres… Em compensação deram-nos nevoeiro. A quimera mantém-se por detrás dos olhos, não posso deixar de conjecturar e se afinal fosses tu o surpreendido, na verdade a razão habita-me, és portanto mais passível de… Mas a manhã, oh, que desilusão! Será que mais alguém chorou, sinto-me como a irmã louca, aquela que fornicava no jardim e banhava-se à luz da morte, vês as semelhanças? Se ao menos a vida não tivesse irrompido, talvez tu estivesses mais perto, talvez eu demasiado longe, que importa, não é o fim, e quanto demorará para que cesse… 

Na volta somos dois seres imortais, 
amemos o nevoeiro por enquanto. 




Raquel Dias
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