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2 de janeiro de 2014

cão do inferno

Por ti estrofes. Versos. Calhamaços do mesmo. Os teus nomes próprios. Impróprios. Animal. Cabrão. Um Verão inteiro sem o teu aroma. Feromonas assassinas. Acabaram-se as mentiras. Os prantos. E outros tantos exageros. Restam meros aguaceiros. A tua boca. O sabor da tua saliva. É como cair da bicicleta. O coração pára o corpo dói. Segundos que são poços profundos, que são girassóis em busca de outra lua. Conheço-te desde o útero. Quiçá de antes. E das restantes vidas. Tantas linhas em teu nome. O amor é um cão do inferno. A quebra, consequente queda, o imenso vazio do céu estrelado. É assim ter-te a meu lado. Por vezes quero rasgar-te a pele, beber-te o sangue. Morreria por matar-te. Dar-te a noite não me chega. Nem estrofes, nem versos, nem suplícios de degredo. O segredo, qual era o segredo? Haverá um porquê ou estaremos à mercê de um funesto desígnio? Tenho-te na ponta da língua, na ponta dos pés. Passos transviados perseguem-te, palavas erguem-te. 

Eu aguento, apenas repito, O amor é um cão do inferno que tudo rói e nada destrói.


Raquel Dias 
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