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9 de novembro de 2009


O desconhecido. A chuva.

O desconhecido escrevia bastante rápido. Página a página, as palavras desdobravam-se numa letra apressada mas simultaneamente bonita, narrando uma história na primeira pessoa.
“Eu estou no capítulo errado”, consegui ler após um grandioso esforço.
Confesso que me senti invadida por uma curiosidade mórbida face aquele pequeno caderno de capa preta onde o desconhecido escrevinhava sem cessar.
Questionei-me acerca do conteúdo, acerca do propósito... Seria um diário? Pensamentos dissolvidos no branco das páginas? Seria ficção? Algo para além dos rótulos?
Quem era aquele rapaz?



Quando finalmente chegamos a Lisboa, o caderno foi guardado nos confins de uma mala cinzenta. Estava a chover, e eu apercebi-me de que não tinha chapéu de chuva…
“Não te preocupes – escreveu a Sara – a chuva faz crescer.”





Raquel Dias
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