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5 de julho de 2010

Tarde de sal

Escuta o ruído que vem lá de fora,
associado ao cheiro da terra, da terra quente e alfazema,
da terra pisada e penetrada,
de onde se edificam bonitos canteiros (um tanto extravagantes,
que caem inevitavelmente no ridículo dos exageros.)
O ruído lá de fora é de pássaros e carros,
numa sinfonia destabilizante, misto de paz e inquietude,
como uma estrela,
que tanto tem de cintilante quanto de discreta.
Vem uma aragem,
que não arrefece a tarde sufocante onde o Verão se manifesta;
de nada servem as janelas abertas e a luz apagada,
a ventoinha directamente direccionada ao rosto suado,
ou a ausência de trapos na pele;
absorve-nos um calor fatigante,
eventualmente consumir-nos-á,
e seremos que nem água esvaecida, numa ascensão certeira às nuvens:
evaporação, isso.

Longe do mar, esta tarde é de sal.


-RD
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