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4 de outubro de 2011

de Salamanca


Vista daqui, da pequena varanda da sala, a vida desenrola-se em passo domingueiro. As ruas estão desertas, a estrada pouco movimentada, e o vento mantém as suas investidas sobre as árvores, que aos poucos se deixam derrotar pelo Outono.
O frio começa a despontar, e eu reconforto-me com uma caneca de café quente enquanto reflicto acerca da cidade que me acolheu.
Apaixonei-me por Salamanca imediatamente.
Bastou observar as imponentes catedrais elevadas sobre o plácido Tormes, o dourado que reveste os edifícios, a Natureza em perfeita comunhão com a cidade, para sentir que Salamanca havia conquistado o meu coração num pequeno relance.
Entretanto já passou uma semana, uma semana demasiado fugaz em que confirmei as minhas expectativas.
Aqui a vida é simples. É tranquila. Eis duas palavras que nunca encontrei em Lisboa, ou mesmo na minha terra natal com tamanha intensidade.
Sinto-me segura ao caminhar por estas ruas, inspirada ao abraçar a paisagem, serena ao sentar-me aqui, na varanda da sala, e, somando tudo isto às poucas vivências que tenho acumulado desde que cheguei, sinto-me genuinamente feliz.
Não se trata de uma felicidade histérica, das que nos fazem gritar bem alto e entrar em êxtase: trata-se de paz.
Sinto o corpo dormente, a cabeça afagada, o espírito reconfortado… Precisamente o que desejava encontrar.



Raquel Dias
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