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2 de junho de 2012

chuva



A chuva cai-me diretamente no rosto, na pele despida, por entre os dedos trémulos, e às tantas nem sei se doí…
Um pássaro canta algures, de penas molhadas e voos adiados, e eu sento-me no parapeito, demoro-me na certeza da purificação, permito-me a tudo isto, que a chuva me inunde…
Alguém chora e a mágoa pesa, a mágoa fascina, quero falar-lhe mas não posso desprezar o momento: acendo o candeeiro pequeno, a luz è ténue, a chuva penetra os lençóis e já sinto o cabelo molhado, as mãos certas do seu propósito deslizam, sabem-no, e eis-me.



Raquel Dias

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