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28 de julho de 2012

"O Estrangeiro", Albert Camus




Por causa do sol. Porque não chorou no funeral. Porque existiu um intervalo consciente entre o primeiro tiro e os restantes quatro.
Não existe lugar para Deus, para o arrependimento ou para uma lágrima; existe apenas absurdo.
Camus, Nobel da Literatura em 1957, apresenta-nos uma personagem estranha, livre de inquietações. Numa existência onde nada tem importância ou veemência, o silêncio é aceite apesar de incompreensível. 
Trata-se de uma obra perturbante. Estranhamente, Mersault conquista o leitor ao mesmo tempo que o desconcerta; o ser-se estrangeiro à própria humanidade constitui um elemento de reflexão que permanecerá como uma “pedra no sapato” face às reticências em que a história termina.
Não há como escapar à sedução que o estrangeiro exerce; a própria incompreensão do leitor solidifica esta mesma atracção, o que faz desta uma das grandes obras da literatura contemporânea, e de Camus um dos génios do absurdo, juntamente com autores como Franz Kafka.

 Raquel Dias
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