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26 de janeiro de 2013

do nevoeiro



O que vos estou prestes a contar vai para além da ficção. 
Não espero qualquer crédito ou amabilidade. Na verdade, não espero absolutamente nada que não resulte do meu próprio juízo ou quiçá alívio. 
Procurar a paz inalcançável, o perdão impossível, uma verdade algures abandonada, a compreensão…
Agora, alcançando a ilusão em que todas estas demandas se dissolvem, nada me resta se não assentir o que sempre suspeitei: a incerteza, a charada, o cinzento perpétuo. Nada vem ao acaso, mas nada faz sentido. É a derradeira piada da existência. 

Pensavam que alguém vos explicaria? Que quando o pano tombasse as verdades despontariam para satisfazer-vos? Que um Deus vos saciaria a sede? 
Deixem-me aclarar-vos: até para lá do fim tudo é nublado. Nem a morte vos salvará do escárnio do Universo.


Raquel Dias
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