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26 de fevereiro de 2013

que é das ondas do mar?


um tiro certeiro e tudo se extingue.

onde teria eu a cabeça?
examino a poça de sangue que se alastra, densa e cintilante – morangos silvestres, um verão demasiado distante – aproximo-me em passos lentos, toco-te, toco-lhe, levo os dedos à boca e sabe-me a gargalhadas, ao fim de tarde na praia, já o sol débil, a maré tépida,
uma criança que chora  não quero ir embora!
Um tiro, foi tudo quanto bastou. Soltou-se a delicadeza dos primórdios de Setembro, vejo-me de lábios pintados, o escarlate desse meloso sangue, disperso-me, toda eu pedaços,
toda eu areia. tinha em mente algo tão simples quanto as ondas do mar…


Raquel Dias


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