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9 de março de 2013

pela madrugada



Pelas ruas mais recônditas – e eventualmente intimidantes, não fosse a tua mão – a noite apertava-se contra as paredes enquanto um tranquilizante silêncio ecoava em redor. 

Caminhamos sem destino ou ponto de partida, o tempo havia ficado num qualquer lugar luminoso e apartado. Neste reino de sombras vestimos as asas de dois pássaros nocturnos, a madrugada pertence-nos, o medo é um mito – o assombro é este, apenas este, as mãos.
Às tantas dou pelo tambor, o compasso cardíaco frenético na garganta, será tarde, demasiado tarde, e eu não sei onde estou.
Não importa, dizias-me, esta noite nada importa.
Outro cigarro, um beijo desmedido,

e já sinto o bater das asas.

RaquelDias
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