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11 de setembro de 2013

inverno precoce

Hoje tenho um formigueiro no peito, uma ânsia agradável,
sabor feliz nos lábios, vontade latejante de não-se-bem-o-quê,

amanheci num inverno precoce, deve ser por isso.
Porque o céu está pálido infeliz as ruas molhadas e pardas,
transeuntes contrariados retiram os casacos do armário, eu mesma escolho um, que sensação boa, a da lã,
e cheira a terra molhada, cheira a novembro a cada milímetro da casa, 

chá quente na caneca, 
a janela embaciada, 
e esta persistente vontade de não-sei

- que a temperatura desça mais um pouco... 


Raquel Dias 

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