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17 de fevereiro de 2014

Desaprender


As palavras são lentas, pesadas, difíceis (é assim que se alucina?)

Eu quis esfolar os joelhos, quis rastejar abaixo da Terra, nos confins da dignidade e roçar, muito ao de leve, a demência dos animais. 

Quis ser um trapo, quis ser uma ruga. Uma gota de sangue que seca no canto da boca. Um copo de vinho entornado. Uma pequena pedra profunda.

Eu fui porque quis. Sempre soube que não existiam prados verdejantes para lá da cerca. Sempre soube que a água estava contaminada. Embebedei-me no veneno, rastejei, gritei, não morri. Nunca morremos. Apenas desaprendemos.


Há quem diga que nunca soubemos. 
Amar.



Raquel Dias
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