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11 de abril de 2014

nada palpita

Viajo num comboio através de uma paisagem de naturezas mortas, sou a última pessoa na Terra, uma árvore centenária que os ventos moldaram, o rosto que restou cravado num galho frágil. O cheiro das violetas esgotou-se antes que a Primavera chegasse. Nada parece fazer parte da realidade. A noite começa a tremer-me por dentro, sinto um breve alento na espinha, é talvez o vento, uma outra alma sozinha. Enterro a cabeça na almofada, é tão amarga quanto macia. Até um dia, prado verdejante. Neste instante já nada palpita.




Raquel Dias
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