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4 de setembro de 2010

nua.

A coisa nua é um tédio.
Vê-la, assim, sem segredos, sem recantos ocultos... vê-la e sabe-la, na totalidade, numa passagem do olhar... assim, absolutamente dada?
É um tédio...

Quando ela surge, despida do que quer que seja, enfadonhamente verdadeira, emerge a vontade de acréscimo... Acrescentar-lhe qualquer coisa que a "decore", que a torne "mais", que a faça interessante.

A coisa está morta: o neutro, a ausência opaca, a pobreza... Morta!
Precisa de um véu, de um detalhe, de uma mentira que a enfeite. De qualquer coisa! É fulcral pinta-la, contorce-la, estraga-la, vesti-la!
Dêem-lhe trapos, velhos e gastos, com histórias, com passado - vivências! Vistam essa coisa!
Afastem-na do tédio insonso da nudez! Do inexpressivo, do oco que nos faz virar o rosto e procurar o que está parcialmente coberto, totalmente coberto, do que dá espaço à imaginação...

Porque a coisa nua é um tédio. Vistam a coisa. Vistam-na mesmo.





-RD
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