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3 de setembro de 2012

Do sono à floresta, e um punhal



vi-a cair num sono profundo, levava anos sem dormir: andava pelas ruas a coleccionar rostos, deixou-se obcecar pelas feições de tal modo abdicou dos sonhos. [talvez os tivesse acordada?] 
havia uma floresta a poucos quilómetros, não densa ou intimidante, apenas alguns pinheiros amontoados e uma atmosfera silente. 
certo dia decidiu procurar frontes pelo dito arvoredo, quiçá velhas almas fatigadas ou espíritos errantes, era quarta-feira, era um dia qualquer, e lá lhe sugaram a vida, dizem que foram os pinheiros sempre dados ao sossego dos mortos e não aos vícios dos noctívagos, verdade seja dita, vi-a cair num sono profundo de punhal atravessado ao peito.

Raquel Dias
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