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10 de dezembro de 2013

The Barcelona Effect





De todas as pessoas que conheço em Barcelona, provavelmente apenas seis são catalães. E melhor ainda, desses seis, apenas uns três são efetivamente de Barna. 
Os meus atuais amigos provêm de todas as partes do mundo: Colômbia, Argentina, Irlanda, Itália, Dubai, Estados Unidos, Zimbabwe... Para não dizer Astúrias ou Andaluzia.
Hoje em conversa com uma amiga constatamos este curioso facto. Onde é que andam os barceloneses? Refugiados nas suas mansões no Eixample e discutindo a independência em grémios secretos? Demasiado ocupados a idealizar o caganer 2014? Ou serão simplesmente uns tipos cerrados que preferem relacionar-se com os da sua espécie?
Mistérios à parte, esta é a cidade das mil maravilhas. Mesmo que os conterrâneos sejam algo comichosos, isso não altera nada; até porque a probabilidade de se ter de aturar um é algo escassa.
Agora ao tema deste post: The Barcelona Effect.
Apesar de nós guiris termos em comum uma óbvia escassez de amigos barceloneses, há algo bem mais profundo que nos une: o amor pela cidade. Amor à primeira vista. Aquele tipo de fixação tão poderoso que nos faz abandonar a pátria em nome de uma aventura muito ao estilo Vicky Cristina. 
Sempre que se conhece alguém – e dado que essa pessoa nunca é de cá – a pergunta mais intuitiva para quebrar o gelo é porquê Barcelona? 
Provenientes do Algarve ou da Califórnia, com ou sem noção da língua e da cultura, a resposta é sempre a mesma: apaixonei-me pela cidade!
Não porque Barcelona seja sinónimo de dinheiro fácil ou de infinitas oportunidades para os recém-licenciados. Nop. É porque esta é a capital da vida boémia, do vermouth  seguido por concertos de rumba, das exposições de arte com cerveja gratuita, do amor inter-racial e das amizades improváveis. Porque aqui a cultura ferve, as tapas acabam em festa e a festa numa história insólita. Cada bairro tem uma personalidade própria e mistérios por desvendar. Temos montanha e praia, discotecas cubanas e galerias requintadas. Feiras vintage, patatas bravas, ciclovias de uma ponta à outra, street art rebelde e Gaudí. 

No meio disto tudo, é compreensível que o tema dos catalães – e do próprio catalão – fique abafado. Os encantos são tantos que qualquer desencanto é mínimo.

Eu apaixonei-me por Barcelona com 13 anos. Percorria e admirava as Ramblas (as Ramblas, imagine-se... nem sabia da missa a metade) quando disse aos meus pais: um dia vou viver aqui.
Uma história que podia ser bastante especial não fosse o facto de toda a gente partilha-la. Aparentemente, todos os que aqui aterraram não o fizeram porque "teve de ser", mas sim porque pensaram firmamente "quero que seja", quero que seja aqui. 
Eu confesso que ainda hoje me surpreende o facto da vida me ter trazido até à cidade que cobicei inocentemente na minha pré-adolescência... 
quizás siempre lo supe... 

The Barcelona Effect is real. Está comprovado na primeira pessoa. So come at your own risk ;)


Raquel Dias
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