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22 de setembro de 2016

poema ao Outono



O vento repousa lento nos meus ombros num
assombro que me deixa perplexa: será esta a vida
em que finalmente perco ?
Mereço então o carinho do Outono, o
abandono decisivo da maré quente
que apenas permanece na prece de gente
feliz.
Eu quis sentir o frio na nuca e
nunca pretendi o sol, apenas
um lençol de flanela a
cobrir uma noite bela (como aquela em que
nos prometemos por primera vez).
Nunca quis ser de sorrisos ou de
amigos primaveris, nunca
tive o cariz que caracteriza os
ousados ou os que bem apetrechados
de jovialidade estendem os braços
para receber o dia, (eu
bem queria ser igual, agradável e
lineal sem entrelinhas entrelaçando e
multiplicando a minha
solidao)


mas eu nao
subsisto sem o tornado que
no fundo do peito, bem entranhado,
faz com que encaixem todas as
minhas teimas e tolices.
Então eu disse ao vento: fica,
fica que eu sei perder,
eu até já perdi tudo o que
jamais poderia ter.


Raquel Dias
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